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Em um mundo onde as mulheres ainda são as principais responsáveis pelo cuidado doméstico e familiar, uma pergunta se impõe: elas cuidam mais da saúde porque são mais responsáveis ou porque não podem "se dar o luxo" de ficarem doentes? A resposta é complexa e revela uma realidade desigualitária que afeta milhões de mulheres.
De acordo com especialistas, as mulheres são ensinadas desde cedo a suportar a dor e a priorizar o bem-estar dos outros em detrimento do próprio. Isso se reflete em uma série de estatísticas alarmantes, como o índice de divórcio 6% maior quando a mulher fica doente, enquanto o percentual não se altera quando o marido adoece. "Mulheres aguentam mais a dor, ou só não podem adoecer porque sustentam uma estrutura construída sob o abuso da sua mão de obra?", questiona uma especialista. "Elas não podem parar, pois não há um suporte confiável para assumir as responsabilidades domésticas e familiares."
Essa realidade é reforçada pela socialização que vê o cuidado como algo feminino e uma ameaça à masculinidade. Os homens, por sua vez, são menos propensos a se preocupar com a própria saúde, sabendo que haverá alguém para cuidar deles. O caso da cantora Preta Gil, que enfrentou um divórcio enquanto lutava contra um câncer, é um exemplo gritante dessa dinâmica.
"Ele simplesmente falou: 'Tá bom, eu não vou para o show, mas também não vou ficar aqui'. Me deixou sendo cuidada por outras mulheres, outras pessoas". Preta Gil
É preciso reconhecer e questionar esse sistema que busca adoecer as mulheres enquanto dificulta sua busca por bem-estar.